4 de novembro de 2007

MADAME V.

As aventuras amorosas de mr R

Madame V.


Tic...
17:00, perdi a conta de quantas vezes procurei respostas no relógio.
Tac...
17:08, os minutos são sufocantes.
Tic...
17:20, maldito o homem que fracionou o tempo.
Tac...
17:39, prometo não olhar mais para os tics.

O som do relógio me enlouqueceria, minha batalha particular contra a ansiedade a muito estava perdida. Nesse duelo de tacs, o tempo joga sujo, lento, devagar, sufocando, rindo de mim a cada milionésimo de segundos. Convenções. Ah! CONVENÇÕES pra que te – las. Os minutos sãos cruéis tripudiam de mim, posso vê-los saltando da parede e rirem na minha cara.

Você perdeu!
Você é meu refém!
Sua risada não é malévola, não grave muito menos aguda, seu sorriso é malicioso, me olha displicente, goza de mim.

Nunca desejei tanto por um número exato que não fosse as cifras do meu morto tio. 20:00 horas o relógio continuaria me atormentando até as 20:00 horas. Vou parar por aqui, já me faltam palavras pra descrever minha impaciência.

17:40, ouço o barulho do assoalho rangendo a cada passo meu.
17:42, o cheiro da poeira me incomoda.
17:45.
18:00.
18:09

Não consigo controlar o suor das minhas mãos. Minha testa franzida lembra a persiana que abri e fechei inúmeras vezes. Minhas mãos teimam em bagunçar o meu cabelo. Traac! Traac! Um a um meus dedos são estalados. Parararararararara tamborilam a mesa meus dedos. Tic tac, o silêncio berra ao meu ouvido. Tic tac a mosca zuni tranqüila pela sala. Tic tac meus pés dançam impacientes. Tic Tac afrouxo o nó da gravata. Tic a rua continua deserta. Tac a porta range. Tic releio o jornal. Tic Tac empurro meu corpo na cadeira. Tic tac tic escuto meu coração pulsar. Tic tac

CHEGAAAA!!!

Desci dois lances de escada e lá estava ela, enchendo meu pulmão de ar, entupindo meus ouvidos de timbres, e a caminho do Súbita pararia em outro bar e esperaria que meu mais íntimo amigo abrisse as portas. Na rua a loucura cronometrada não mais teria uma vítima.

O movimento das pessoas inertes ao meu problema, fez com que eu não sentisse a hora passar. Olhar para cada uma delas e criar uma história era o que eu fazia melhor. Lá vai o pai de família apressado para encontrar a vizinha. Aquele menino não engana foi ele quem quebrou a vidraça do senhor da esquina. Recata, sim eu também sou. 21:30 marcava o relógio, tomei meu ultimo gole, alinhei-me com um lord e percorri calmamente a estrada dos tijolos de ouro.

Sentado mais uma noite no mesmo lugar, tentei ser paciente, mas a cada novo ruído meu corpo inteiro se virava pra porta. Nessa noite não beberia, tinha que manter a sanidade até a sua chegada que não aconteceu. 1:00 hora cansado de esperar e sem paciência para minhas pequenas, levantei-me e subiria sozinho pela Augusta que fervia sexo. Os convites das putas por vezes eram tentadores mas não tinha animo para qualquer tipo de flerte.

Ao dobrar a esquina da Av Paulista esbarro em uma moça que andava de cabeça baixa. Nosso encontro repentino a fez deixar cair sua bolsa. Abaixei para pega-la, mas ela foi mais rápida do que eu e inexplicavelmente tentou correr. Nesse momento meu instinto falou mais rápido, queria me desculpar, segurei-a pelo braço. Irritada, quando começou a esbravejar reconheci aquela boca que havia me beijado dois dias atrás. Por mais clichê que possa ter sido, esse foi nosso segundo encontro.

- Você! Qual o seu nome?
- V.
- V?
- V!!!
- Não me interessa seu nome. Me interessa você. Por que fugiu aquele dia?
- Não posso conversar.
- Espera!
- Tenho que ir.

Pude notar em sua mão esquerda uma aliança fina e dourada, e que apunhalava sem dó minhas esperanças.

- 1 minuto! Não consegui pensar em outra coisa a não ser você.
- Estou com pressa, já deveria estar em casa.
- Eu te acompanho.
- Não!
- É perigoso e agente pode conversar no caminho.
- Não tenho medo e não tenho nada pra conversar. Tchau!
- Espera.

A puxei e antes mesmo que ela pudesse esboçar qualquer reação a beijei.

- Meu cartão. Tem o endereço do meu escritório, me procura.

Sem olhar para trás aquela ilustre desconhecida, carrasca de sentimentos alheios, não se estremeceu com meu beijo, não me olhou nos olhos, apenas disse tchau e tomou o caminho de casa. Não entendo por que não a segui. Fiquei imóvel, estático paralisado junto com a Paulista deserta, vendo-a sumir. Entenderia ali naquele momento o que paixão, meus atos até esse momento só poderiam ser de um homem apaixonado, incapaz de ser racional e com apenas uma ponta de remorso, pois, começava a entender os maridos histéricos, as esposas chorosas que procuravam seu escritório. Empatia. Pela primeira vez essa palavra teve algum significado.

Pensei que aquele cartão seria meu elo de ligação com aquela desconhecida que teimava em me visitar durante os sonhos. Confesso! Desde nosso primeiro encontro estou enfeitiçado. Aquele pequeno pedaço de papel que continha meu nome, meu endereço e minhas esperanças, era minha chance de te-la ao meu lado mais uma vez. 5 meses de idas ao Súbita, milhares de doses de conhaques, infinitos Tic´s Tac´s, caminhas noturnas pela Augusta com a Paulista. E nem sinal dela.

- Grande detetive eu sou!



continua...

9 de outubro de 2007

MADAME V.

"As aventuras amorasas de Mr R"
Madame V.
Retornei ao meu lugar calmamente, um sorriso (malicoso) debochado, creio que seja a palavra correta, invadiu meu rosto. Pedi outra dose de conhaque. Meus pensamentos eclodiam a cada gole. Permaneci ali estático, a minha frente uma moça jovem exibia suas curvas, dançava freneticamente em cima do palco. Pedia para ser devorada aquela noite, suplicava pelos olhares masculinos.

Continuei sentando, ouvindo meus pensamentos que se confundiam com a música alta. Ela desceu do palco, desviou dos cachorros extasiados, buscava a porta de entrada do camarim do salão. Passou ao meu lado. Segurei seu braço. Puxei seu corpo de encontro ao meu. Beijei a intensamente. Ela esboçou uma reação. Apertei com força seu braço. Beijei-a com mais vontade. Atenderia o seu pedido aquela noite, a devoraria.

Não sei como cheguei em casa, mas o sol se encarregou de me acordar, o relógio marcava 13:00 horas. Uma hora da tarde, minha cabeça doía. Estava nu e as marcas de unha nas minhas costas denunciavam a noite anterior.
Quem foi que acendeu o sol?
Diminuía o volume. Por favor!
No banheiro lavei meu rosto, olhei novamente minhas costas, agradeci ao meu amigo e tive a certeza que não foi um sonho. Água e resto de comida mofada era o que tinha na geladeira, o jeito seria comer fora mais uma vez. Ah conhaque! O que seria de mim sem você? Me servi generosamente. Observava a rua da janela da minha sala. Ah! Avenida Paulista um pequeno retrato de São Paulo. Alguns escritórios já começavam a se instalar por aqui, os transeuntes desbravavam apressadamente de um lado para o outro. Quinta feira eles imersos em suas responsabilidades e eu ainda nu na sala de casa. Viva a boa alma do meu tio! Viva!
Que noite!
Aquela dançarina com certeza não sairia dos meus mais puros e futuros desejos.
Contudo meu primeiro encontro ainda teimava em aparecer em flash’s na minha cabeça.
Viva a vida!
Um brinde a quinta feira!
O que mais eu posso querer?!
Viva!
Masturbei-me tentando lembrar da noite anterior e acabei pegando no sono.


Ajeitei a camisa, chapéu na cabeça, olhei no espelho e coloquei-me a caminho do meu novo único destino “O Súbita”. Já eram 23:00 horas, como dormi bem! O cenário da caminhada: Néons, prédios, árvores, prostitutas, céu nublado, vento fraco, prostitutas, néons, bêbados caídos, calhambeques vistosos, casas, casas e mais casas, descer a Augusta era como um ritual caminhava devagar, observava, absorvia cada pequeno.

- Boa noite R
- Buenas Chico
- ¿ O que desea ?
- Uma botella de conhaque!
- ¿ Alguna chica nueva ?
- No!
- Isso daqui não muda nunca!
- Perguntaram por você hoje
- Quem?
- Não sei
- Como você não sabe?!!!
- Não sabendo! Ela veio até aqui...
- Ela!!!
- Isso ela veio até aqui e perguntou sobre o homem da noite anterior que estava sentando nesse mesmo lugar.
- Quem era ela? Deixou nome? Um cartão? Algum bilhete?
- Olha ela ali!
- Onde?
- Ali!
- Onde?
- Em cima do palco dançando!
- Ela!
- Sim ela!
- Quer gelo?
- Não! Ela trabalha aqui e você não sabe quem é ela! Cada uma! Mais alguém perguntou por mim?
- Não! Pelo menos, não pra mim.
- Alguém diferente no bar?
- Acho que não.
- Não! Não mesmo!
- Ah!
- Ah, o que?
- Aquela moça que estava com você ontem esteve aqui.
- Esteve?
- Você é surdo?
- Surdo? Eu? Por quê?
- Fica perguntando por uma coisa que eu acabei de falar, parece doido. Sim, ela! Ela esteve, sentou tomou alguma coisa esperou por alguém e foi embora.
- Não acredito!
- Vai tomar uma garrafa sozinho?
- A que horas ela esteve aqui?
- Por volta das 9:00.
- Sim vou tomar a garrafa.

A partir daquele momento não consegui diferenciar uma única vogal, pra mim todas as palavras tornaram-se inaudíveis. Ela havia voltado e isso era a única coisa que me interessava. Amanha! Amanha a encontrarei novamente. Restava apenas me divertir um pouco mais naquela noite. Não preciso nem dizer quem será minha companheira nesta noite.

27 de agosto de 2007

Peço licença, e interrompo por um breve momento a história da Madame V para publicar um texto diferente e muito confuso, porem pertinente ao tema do blog, "descrever as pendengas relacionadas ao meu mundo sentimental".
Em breve retorno com Madame V.
Obrigado pelas visitas, comentarios, cobranças e incentivo.
(Um dica, para não perder o ritmo e raciocio leia o texto abaixo pulando alguns comentarios entre parênteses)

Caras leitoras...

DESABAFO
Pode parecer grosseiro e até mesmo descabido, você poderia utilizar inúmeros adjetivos para comentar um texto que tenha chamar a atenção logo no seu primeiro parágrafo. Mas cabe aqui uma pequena correção, não é um texto e sim um desabafo.

Um único pedido: leia e tente não me interromper, perguntas por ventura usadas são retóricas, tão logo suas respostas cabem apenas aos devaneios de um texto pensado antes de dormir, nesses momentos de teto branco.

Esta cada vez mais difícil ser homem (com H maiúsculo como diria minha vó) nesse mundo moderno, globalizado e sem fronteiras. A linha tênue entre as relações pertinentes masculino feminino estão cada vez mais abstrusas de serem desvendadas e a tentativa de serem compreendidas a muito foi deixada de lado por esse que vós escreve.

Filosofia de botequim a parte (mais uma cerveja por favor). Questiono-me diariamente como conquistar, agradar, enaltecer, sublimar, louvar, exaltar, altear, gabar a mulher antenada e plugada do século XXI.

Antes os galanteios eram premissas comuns para que pudéssemos desposar tais donzelas. Mas no mundo hipertextual, o cavalheirismo e pieguismo por muito cobrado, hoje já não agrada grande parte das mulheres (mas uma vez a linha tênue). Flores, bombons, serenatas são apenas bonitos em filmes e ocasiões nunca explicitas pelo sexo feminino. (Vale um parêntese, a cobrança e ou pedido de só realizado quando o namoro vizinho causa inveja) A mulher atual é pratica, não gosta de rodeios e romantismos (e o homem romântico é tido como espécie em extinção).

Quando em lugares apropriados somos impedidos de exercer nossa masculinidade, carteiras são abertas e cartões de créditos tilintantes teimam e dividir as despesas, (nos tiraram o direito de ser cavalheiro) e esse é apenas um exemplo.

Por muito fomos taxados de insensíveis, mas agora que lemos todas as dicas da Claudia, Mari Clarie, Menshealt e cia. (até mesmo o Muleburra.com) e nos tornamos homens sensíveis, e contrariando (mais concordando do que contrariando) o Frejat: Homen chora por dor e por amor e sempre passa pela cabeça pedir perdão.
As películas românticas foram substituídas pelo terror japonês e não adianta indicar na fila do cinema o interesse por filmes água com açúcar.
Esta cada vez mais difícil ser o homem ideal (aquele que mamãe pediu a Deus). Quando ligamos não deveríamos ter ligado, se não discutimos somos e porque estávamos errado, mas se tentamos discutir (vixi, nem me atrevo a dizer, corro o risco de perder o pescoço, em uma esquina qualquer).
Educado, carinhoso, companheiro são características pretendidas apenas no papel (nem adianta dizer o contrário, vai, engole logo essa expressão de argumentação e baixa esse dedo). Eu ouvi, com esses ouvidos que a mãe Terra um dia vai transformar em adubo.

- “Ai, ele é legal, ele é um fofo, ele é carinhoso, ele é bunitinho, ele me mima, ele me manda mensagens de madrugada, ele é perfeito. Mas falta algo! Ai num sei, ele faz de tudo pra me agradar, me escuta, me apóia, tenta ser engraçado, minha mãe adora ele, meu pai passa horas conversando com ele. Mas ai, num sei. Sabe. Falta algo. Ele beija bem sim, sabe usar as mãos como poucos. Mas mesmo assim ainda num sei. Até queria gostar dele. Mas num sei. To ficando! Vou continuar ficando! Mas num sei. Perfeito de mais, grundentinho, romantiquinho, bonzinho de mais” Falta química”. (matemática, história, português, ciências...)

- “O outro, aquele num vale nada, te contei o que ele fez ontem, e ainda me liga com aquela voz cínica, dizendo que vai mudar, que agora é pra valer, que ele é um novo homem, ai num sei, será que dou outra chance, ele tem alguma coisa que me deixa loca, ta certo que é um galinha, que só me leva pra sair depois de muita briga, mas aquela barbinha mal feita eu não resisto. Por que ele num é diferente? Já penso se ele fosse diferente (igual ao de cima). Ai nem quero pensar. Ia ser um porre.”

Cansei (e não é movimento politizado e burguês) de ler nos anúncios: Gostaria que encontrar um homem sincero, inteligente e extrovertido. Mas a sinceridade nunca deve ser dita em voz alta. Decotes, mini saias são sensuais (e adoramos) mas não devem ser questionados em um passeio ao shopping, muito menos devemos nos zangar com os flertes de outros predadores sobre nossas pequenas. Mas se dizemos inadequados para tais passeios, somos alvejados com o timbre estridente NEM MEU PAI PROIBI, sem contar com a inúmeras vezes que afirmamos estar pensando em nada e somos metralhados por duvidas e olhares. Por favor, não me pergunte se esta bonita, gorda, bem arrumada, o que for! Porque se não estiver eu vou dizer, pode não ser com palavras mas a expressão sempre denuncia tais deslizes. Se não quer minha opinião, por favor não me pergunte também (vamos evitar brigas), não venha me perguntar alguma coisa e depois dizer que eu só fala besteira, sou machista e que eu ponto de vista é muito melhor, se já tomou a decisão siga em frente.

O Homem com certeza deve ser inteligente, mas somente o homem? (Pergunta retórica: lembre-se do prometido). Falar sobre as crises existências, as TPM´s, os problemas causados pela estagiaria (que não é da nossa empresa), o período de prova, os problemas com os relacionamentos das melhores amigas (que nos odeiam) e até mesmo a morte da bezerra, já esta batido por demais, mais uns dois textos que façam menção a tais temas eles viram clichê.
Dosar os níveis de extroversão é outra tarefa para o Super Mouse (aquele que é o seu amigo, que veio te salvar do perigo), somos bobos, infantis, idiotas e babacas. (Ponto nem vou me prolongar nesse assunto, assumo que somos bobos, infantis, idiotas e babacas).

Sei que agora o texto/desabafo está confuso e acabou engendrando por questões que parecem não ser pertinentes com a temática. Contudo:

Pergunta-te-ia e sei que a resposta vai ser: Depende, cada qual é um qual, isso é coisa da sua cabeça, ta procurando pelo em novo e por ai vai...

To reclamando sim e corro sério risco dessas palavras não fazerem sentido algum na manha seguinte e até mesmo escrever um outro texto questionando o contrário. É duro admitir mas o homem não evoluiu tanto para a mulher independente (desculpe amigos, são palavras minhas, não levem a sério, to escrevendo num momento de carência brava e admito me acho o melhor partido do mundo, o rapaz do parágrafo de cima, lembra dele).

Tempos bons eram quando homens vaidosos precisavam apenas fazer a barba e passar água de colônia. Na era dos metrosexuais, adeus a peitos cabeludos, barriguinhas redondas e cutículas mal feitas. Foi difícil! Mas ampliamos nossos leques de cores, assumimos por fim que o salmão não faz parte apenas da cadeia alimentar. (E tudo isso por ti minha pequena).

Me faça dois favores por favor.
1º Não venha me buscar para a balada no seu carro tunado 2.0, com rodas de liga leve aro 19, 500 cavalos de potência e um mini trio elétrico no porta mala. Me permita busca-la em casa e abrir a porta do meu possante pra você.
2º Mesmo que você sabia! Me pergunte sempre nas transmissões futebolísticas O que é impedimento e mesmo com conhecimento superior apresente dúvidas e hesitações em seus comentários (não custa nada fazer meu ego inflar).

Desculpe mas tenho um 3º pedido. Durante minha infância, adolescência e atual fase adulta fui altamente treinado na arte de proferir adjetivos duvidosos e de baixo calão (vulgo palavrão) e me permita nos momentos adequados dispara-los.

Perdão 4º pedido (é o ultimo prometo).
Por obséquio, joguem novamente as tranças pela janela, voltem a dormir a minha espera, na dúvida comam também as uvas, jacas, melancias, peras envenenadas, seria pedir muito ter umas irmãs e madrastas malvadas se aprontar lindamente para o baile e esquecer o sapatinho na saída. Seria pedir muito? Heim, heim, heim???
Infeliz e infelizmente a capacidade de ser homem vendo sendo colocada em xeque com o passar do tempo. Aquisição de direitos iguais, quebra de pré-conceitos, paradigmas, dogmas, foram gerando um lapso na evolução masculina. O novo homem vem tentando se adaptar a super mulher, contudo, quando pensamos caminhar na direção correta somos surpreendidos com irritações e questionamentos até então não pensados.

Agora um pedido aos homens que tiveram paciência e chegaram até esse parágrafo, NÃO SE TORNEM AMIGO DE MUITAS PEQUENAS. Descubro com o passar dos dias, que o amigo não é o namorado, amante, rolo e afins indicado. Quando você está solteiríssimo da Silva a pergunta é a seguinte:

- Nossa, por que você está solteiro? Está solteiro por que quer né? Você é tão legal, sei que vai achar alguém especial e blá blá blá blá.

Quando você encontra alguém a pergunta já muda um pouco:

- NOSSA! Por que você está com ela, demoro tanto e escolhe ela, feia, desdentada, vesga, celulitosa, fidida, já fico com Deus e o mundo, não merece alguém como você...

Vamos instaurar o dia intergaláctico do Homem, dia do orgulho hetero, feriado nacional do futebol, tornar o machismo um movimento decretar os Direitos Iguais aos Homens também. (e escrever um texto menos confuso e pertinente da próxima vez)
....
Bom, se continuar aqui falando, acabo escrevendo um livro! Mas vou abrir espaço para Miss G, dar alguns tapas com luva de pelica.

“É difícil comentar ou responder um texto com os pensamentos confusos.
Confusos porque não entendo como funciona essa magia que uns chamam de Amor, Paixão, Conquista, Domínio. Enfim, como ter ao seu lado uma pessoa que você quer? Como conquistá-la?

Bom, voltando ao desabafo, creio que hoje não só as mulheres, mas os homens também mudaram muito o jeito de encarar um relacionamento.
As pessoas preferem “ficar”, para não ter compromisso com ninguém. Eu como mulher, expresso aqui meu ponto de vista: Estou solteira um tanto por opção e um tanto por circunstância. Nunca acreditei em príncipe encantado no cavalo branco, mas queria encontrar uma pessoa com quem eu possa compartilhar minhas alegrias e tristezas.

Sinceramente, essa versão de homens românticos que mandam flores não agrada mais as mulheres. Sei que muitas vão ler esse texto e dizer que é mentira, mas é muito simples testar, nenhum homem conquista mulher alguma simplesmente porque enviou flores. Essas coisas só acontecem em novelas e filmes.
Isso começou a acontecer porque nos acostumamos com o jeito “bruto” masculino, e acabamos gostando. Digo “bruto” no sentido de falta de romantismo e não violento.
Queríamos direitos iguais e conseguimos, dividimos contas, disputamos vagas de emprego e outras coisas mais.

Voltando ao foco da discussão, conquistar uma mulher é simples, seja você mesmo sempre. Não tem coisa pior do que você conquistar uma mulher, e ela descobrir que tudo que você era não é verdade. Era só para conquistá-la. Te garanto que a pessoa que estiver ao seu lado,vai gostar de ti do jeito que você é. Mas lembre-se, que isso não te livra de opiniões contrárias, de discutir a relação, de enviar flores no aniversário dela.
Sim meu caro enviar flores, sou contra flores para conquistar a mulher, mas para fazer uma surpresa ou agradá-la, esse romantismo á moda antiga está totalmente aprovado.” (Miss G)

...

21 de junho de 2007

MADAME V.

As aventuras amorosas de mr. R
MADAME V.
Caminhava tranqüilo pelas calçadas monocromáticas da cidade de São Paulo, estava um noite agradável, os prédios desenhavam o céu azul escuro, havia poucas pessoas na rua. Meu destino, o Súbita, um cabaré caindo aos pedaços escondidos numa dessas travessas da rua Augusta, apesar da idade denunciada nos trincos nas paredes, a tinha descascada e a fiação a mostra, aquelas paredes vermelhas escuras e seus retratos de personalidades de Hollywood tinha um certo charme.

Entre acenos e comprimentos, me encaminhava para meu lugar cativo e logo tenho servido minha habitual dose de conhaque.

- Alguma novidade?
- Não.
- Alguma pequena nova?
- Também não.
- Esse lugar já foi melhor.
- Você fala isso todos os dias.
- Outra dose.

De onde estava, podia observar as garotas divertirem os boêmios da megalópole. Entre sorrisos e caricias, elas imergiam das pernas dos cães da guarda da sociedade rica paulista. Essas garotas. As garotas engordavam diariamente o pequeno lucro do cabaré. Em outro canto uma cena comum, mais um homem sendo sugado por uma ninfa. Assistir aquela cena me agradava, ficava imaginando aquela garota colada no meu corpo, sentindo aquela vag...

- Oi.

Aquela voz me trousse de volta a realidade.
Ela era clara, olhos negros, os cabelos lisos num tom avermelhado desciam até o meio das costas, ela estava sentada do meu lado. Pediu uma dose de conhaque, olhou para mim como se fosse o único homem daquele lugar. Trajava um vestido amarelo, colado ao corpo, podia ver cada curva do corpo torneado. Me olhava com a displicência de quem quer se divertir.

- Oi.

Mais uma vez estava sendo puxado para a realidade. Imaginar aquela mulher nua em pelo me deixou sem graça naquele momento.

- Oi.
- O que faz aqui?
- Resolveu falar, pensei que uma gata tinha mordida a sua língua.
- O que faz aqui, você ainda não respondeu?

Ela puxou da bolsa em seu colo, uma cigarreira. Ao pensar em levar o cigarro a boca, já estava com a chama do meu isqueiro contornando o seu rosto. Ela aceitou o meu fogo, tragou com o prazer de um orgasmo.

- Estava passando e resolvi entrar.
- Mas aqui é um prostíbulo.
- Eu sei.

Silêncio

- Nunca te vi por aqui. É uma das garotas novas?
- Já disse que estava passando e resolvi entrar! Será que num prostíbulo existem apenas mulheres sendo oferecidas.
- É que

O silêncio agora era ensurdecedor. Suas respostas me desconcertavam.

- Aqui não é lugar pra moças de família.
- E quem disse que eu sou de família?

Aquele sorriso. Malicioso.
Ela estava me tirando do sério, suas respostas me instigavam e ao mesmo tempo me motivavam a entrar naquele jogo. Cartas na mesa, olhos tentados a não fugir do confronto. Na boca batom claro, quase imperceptível, contornavam uma boca pequena, suave, que parecia nunca ter sido beijada. O seu perfume.

- E você o que faz aqui?
- Vim beber.
- Não fica com nenhuma dessas garotas?
- As vezes, mas hoje não quero ficar com nenhuma delas.
- Não!?
- Quer ficar com quem?
- Estive pensando em uma garota vestida de amarelo.
- Quem? Aquele ali?
- Não.

Tentei me aproximar, minha respiração já estava acelerada e denunciava meu nervosismo. Me aproximei mais, tentei beijá-la, mas ela esquivou e me abriu um sorriso de criança que acabava de fazer arte.

- Presumo que essa garota seja eu.
- Sim.
- Mas com essa conversinha, vai ser difícil.
- Que conversinha?
- Não se faça de bobo! Quero um conhaque.
- Ser um conhaque pra ela.

Poderia passar a noite vendo ela beber aquela taça de conhaque.

- O que veio procurar essa noite?
- Diversão.
- Que tipo de diversão?
- Pensei em dois corpos.
- Gosto.
- Pensei também em suor.
??? Não consegui falar nada.
- Talvez. Talvez eu dançando nua.
!!! Estava ficando cada vez mais quente.
- Quem sabe eu de quatro esperando

Não pensei duas vezes, levei minhas mãos trêmulas até sua perna. A danada as abriu de modo convidativo, meus dedos percorriam suas coxas. Ela as fechou. Balança negativamente o dedo indicador. Mergulhei de cabeça naquele jogo. Me aproximei e fui soprando lentamente em seu ouvido.

- Pensei também (disse sussurrando para ela)
- No que!?
- Em te amarrar na minha cama e beijar seu lábios até sentir seu corpo tremendo na minha boca.

Ela me puxou e me deu um beijo mais intenso que recebi até hoje. Sentia sua língua descobrindo cada pedaço da minha boca. Não estava acreditando. Pensava eu, será que tudo isso está acontecendo realmente, devo acordar bêbado e com dor de cabeça a qualquer minuto, tudo que acontecerá até aqui parece o roteiro dessas histórias baratas de folhetins vendidos em bancas de jornal.

Sem hesitar beije-lhe o pescoço, mordia a sua orelha e sentia cada vez mais minha excitação explodir dentro das calças.

- Preciso ir.
- O que?
- Tenho que ir.
- Pra onde?
- Não importa, pra longe apenas.
- Você não pode?
- O que não posso?
- Seu endereço pelo menos.
- Eu te procuro!
- Me dá o seu endereço.

Ela saiu caminhando rápido, desviando das pessoas que cambaleavam pelo cabaré, quando consegui levantar, a embriaguez me venceu, senti a tontura de 4 doses de conhaque. Cambaleante tentei sair, mas o segurança me barrou.

- Não vai pagar?
- Claro.
- Preciso falar com ela, já voltou e pago.
- Pague primeiro.
- É rápido, já volto e acerto.
- Só vai sair após o pagamento.
- Você me conhece, sabe que venho aqui sempre, é rápido, já volto
- O pagamento.

Tirei um maço de notas da carteira, tinha muito dinheiro, não podia me dar o luxo de deixar o troco pra eles. Quando consegui sair já era tarde, nem vestígio daquela mulher. Fiquei ali, sentando na guia, pensando, naquela noite. Não sei seu nome, seu endereço, lembro apenas do seu rosto e daquele beijo.
continua...