27 de agosto de 2007

Peço licença, e interrompo por um breve momento a história da Madame V para publicar um texto diferente e muito confuso, porem pertinente ao tema do blog, "descrever as pendengas relacionadas ao meu mundo sentimental".
Em breve retorno com Madame V.
Obrigado pelas visitas, comentarios, cobranças e incentivo.
(Um dica, para não perder o ritmo e raciocio leia o texto abaixo pulando alguns comentarios entre parênteses)

Caras leitoras...

DESABAFO
Pode parecer grosseiro e até mesmo descabido, você poderia utilizar inúmeros adjetivos para comentar um texto que tenha chamar a atenção logo no seu primeiro parágrafo. Mas cabe aqui uma pequena correção, não é um texto e sim um desabafo.

Um único pedido: leia e tente não me interromper, perguntas por ventura usadas são retóricas, tão logo suas respostas cabem apenas aos devaneios de um texto pensado antes de dormir, nesses momentos de teto branco.

Esta cada vez mais difícil ser homem (com H maiúsculo como diria minha vó) nesse mundo moderno, globalizado e sem fronteiras. A linha tênue entre as relações pertinentes masculino feminino estão cada vez mais abstrusas de serem desvendadas e a tentativa de serem compreendidas a muito foi deixada de lado por esse que vós escreve.

Filosofia de botequim a parte (mais uma cerveja por favor). Questiono-me diariamente como conquistar, agradar, enaltecer, sublimar, louvar, exaltar, altear, gabar a mulher antenada e plugada do século XXI.

Antes os galanteios eram premissas comuns para que pudéssemos desposar tais donzelas. Mas no mundo hipertextual, o cavalheirismo e pieguismo por muito cobrado, hoje já não agrada grande parte das mulheres (mas uma vez a linha tênue). Flores, bombons, serenatas são apenas bonitos em filmes e ocasiões nunca explicitas pelo sexo feminino. (Vale um parêntese, a cobrança e ou pedido de só realizado quando o namoro vizinho causa inveja) A mulher atual é pratica, não gosta de rodeios e romantismos (e o homem romântico é tido como espécie em extinção).

Quando em lugares apropriados somos impedidos de exercer nossa masculinidade, carteiras são abertas e cartões de créditos tilintantes teimam e dividir as despesas, (nos tiraram o direito de ser cavalheiro) e esse é apenas um exemplo.

Por muito fomos taxados de insensíveis, mas agora que lemos todas as dicas da Claudia, Mari Clarie, Menshealt e cia. (até mesmo o Muleburra.com) e nos tornamos homens sensíveis, e contrariando (mais concordando do que contrariando) o Frejat: Homen chora por dor e por amor e sempre passa pela cabeça pedir perdão.
As películas românticas foram substituídas pelo terror japonês e não adianta indicar na fila do cinema o interesse por filmes água com açúcar.
Esta cada vez mais difícil ser o homem ideal (aquele que mamãe pediu a Deus). Quando ligamos não deveríamos ter ligado, se não discutimos somos e porque estávamos errado, mas se tentamos discutir (vixi, nem me atrevo a dizer, corro o risco de perder o pescoço, em uma esquina qualquer).
Educado, carinhoso, companheiro são características pretendidas apenas no papel (nem adianta dizer o contrário, vai, engole logo essa expressão de argumentação e baixa esse dedo). Eu ouvi, com esses ouvidos que a mãe Terra um dia vai transformar em adubo.

- “Ai, ele é legal, ele é um fofo, ele é carinhoso, ele é bunitinho, ele me mima, ele me manda mensagens de madrugada, ele é perfeito. Mas falta algo! Ai num sei, ele faz de tudo pra me agradar, me escuta, me apóia, tenta ser engraçado, minha mãe adora ele, meu pai passa horas conversando com ele. Mas ai, num sei. Sabe. Falta algo. Ele beija bem sim, sabe usar as mãos como poucos. Mas mesmo assim ainda num sei. Até queria gostar dele. Mas num sei. To ficando! Vou continuar ficando! Mas num sei. Perfeito de mais, grundentinho, romantiquinho, bonzinho de mais” Falta química”. (matemática, história, português, ciências...)

- “O outro, aquele num vale nada, te contei o que ele fez ontem, e ainda me liga com aquela voz cínica, dizendo que vai mudar, que agora é pra valer, que ele é um novo homem, ai num sei, será que dou outra chance, ele tem alguma coisa que me deixa loca, ta certo que é um galinha, que só me leva pra sair depois de muita briga, mas aquela barbinha mal feita eu não resisto. Por que ele num é diferente? Já penso se ele fosse diferente (igual ao de cima). Ai nem quero pensar. Ia ser um porre.”

Cansei (e não é movimento politizado e burguês) de ler nos anúncios: Gostaria que encontrar um homem sincero, inteligente e extrovertido. Mas a sinceridade nunca deve ser dita em voz alta. Decotes, mini saias são sensuais (e adoramos) mas não devem ser questionados em um passeio ao shopping, muito menos devemos nos zangar com os flertes de outros predadores sobre nossas pequenas. Mas se dizemos inadequados para tais passeios, somos alvejados com o timbre estridente NEM MEU PAI PROIBI, sem contar com a inúmeras vezes que afirmamos estar pensando em nada e somos metralhados por duvidas e olhares. Por favor, não me pergunte se esta bonita, gorda, bem arrumada, o que for! Porque se não estiver eu vou dizer, pode não ser com palavras mas a expressão sempre denuncia tais deslizes. Se não quer minha opinião, por favor não me pergunte também (vamos evitar brigas), não venha me perguntar alguma coisa e depois dizer que eu só fala besteira, sou machista e que eu ponto de vista é muito melhor, se já tomou a decisão siga em frente.

O Homem com certeza deve ser inteligente, mas somente o homem? (Pergunta retórica: lembre-se do prometido). Falar sobre as crises existências, as TPM´s, os problemas causados pela estagiaria (que não é da nossa empresa), o período de prova, os problemas com os relacionamentos das melhores amigas (que nos odeiam) e até mesmo a morte da bezerra, já esta batido por demais, mais uns dois textos que façam menção a tais temas eles viram clichê.
Dosar os níveis de extroversão é outra tarefa para o Super Mouse (aquele que é o seu amigo, que veio te salvar do perigo), somos bobos, infantis, idiotas e babacas. (Ponto nem vou me prolongar nesse assunto, assumo que somos bobos, infantis, idiotas e babacas).

Sei que agora o texto/desabafo está confuso e acabou engendrando por questões que parecem não ser pertinentes com a temática. Contudo:

Pergunta-te-ia e sei que a resposta vai ser: Depende, cada qual é um qual, isso é coisa da sua cabeça, ta procurando pelo em novo e por ai vai...

To reclamando sim e corro sério risco dessas palavras não fazerem sentido algum na manha seguinte e até mesmo escrever um outro texto questionando o contrário. É duro admitir mas o homem não evoluiu tanto para a mulher independente (desculpe amigos, são palavras minhas, não levem a sério, to escrevendo num momento de carência brava e admito me acho o melhor partido do mundo, o rapaz do parágrafo de cima, lembra dele).

Tempos bons eram quando homens vaidosos precisavam apenas fazer a barba e passar água de colônia. Na era dos metrosexuais, adeus a peitos cabeludos, barriguinhas redondas e cutículas mal feitas. Foi difícil! Mas ampliamos nossos leques de cores, assumimos por fim que o salmão não faz parte apenas da cadeia alimentar. (E tudo isso por ti minha pequena).

Me faça dois favores por favor.
1º Não venha me buscar para a balada no seu carro tunado 2.0, com rodas de liga leve aro 19, 500 cavalos de potência e um mini trio elétrico no porta mala. Me permita busca-la em casa e abrir a porta do meu possante pra você.
2º Mesmo que você sabia! Me pergunte sempre nas transmissões futebolísticas O que é impedimento e mesmo com conhecimento superior apresente dúvidas e hesitações em seus comentários (não custa nada fazer meu ego inflar).

Desculpe mas tenho um 3º pedido. Durante minha infância, adolescência e atual fase adulta fui altamente treinado na arte de proferir adjetivos duvidosos e de baixo calão (vulgo palavrão) e me permita nos momentos adequados dispara-los.

Perdão 4º pedido (é o ultimo prometo).
Por obséquio, joguem novamente as tranças pela janela, voltem a dormir a minha espera, na dúvida comam também as uvas, jacas, melancias, peras envenenadas, seria pedir muito ter umas irmãs e madrastas malvadas se aprontar lindamente para o baile e esquecer o sapatinho na saída. Seria pedir muito? Heim, heim, heim???
Infeliz e infelizmente a capacidade de ser homem vendo sendo colocada em xeque com o passar do tempo. Aquisição de direitos iguais, quebra de pré-conceitos, paradigmas, dogmas, foram gerando um lapso na evolução masculina. O novo homem vem tentando se adaptar a super mulher, contudo, quando pensamos caminhar na direção correta somos surpreendidos com irritações e questionamentos até então não pensados.

Agora um pedido aos homens que tiveram paciência e chegaram até esse parágrafo, NÃO SE TORNEM AMIGO DE MUITAS PEQUENAS. Descubro com o passar dos dias, que o amigo não é o namorado, amante, rolo e afins indicado. Quando você está solteiríssimo da Silva a pergunta é a seguinte:

- Nossa, por que você está solteiro? Está solteiro por que quer né? Você é tão legal, sei que vai achar alguém especial e blá blá blá blá.

Quando você encontra alguém a pergunta já muda um pouco:

- NOSSA! Por que você está com ela, demoro tanto e escolhe ela, feia, desdentada, vesga, celulitosa, fidida, já fico com Deus e o mundo, não merece alguém como você...

Vamos instaurar o dia intergaláctico do Homem, dia do orgulho hetero, feriado nacional do futebol, tornar o machismo um movimento decretar os Direitos Iguais aos Homens também. (e escrever um texto menos confuso e pertinente da próxima vez)
....
Bom, se continuar aqui falando, acabo escrevendo um livro! Mas vou abrir espaço para Miss G, dar alguns tapas com luva de pelica.

“É difícil comentar ou responder um texto com os pensamentos confusos.
Confusos porque não entendo como funciona essa magia que uns chamam de Amor, Paixão, Conquista, Domínio. Enfim, como ter ao seu lado uma pessoa que você quer? Como conquistá-la?

Bom, voltando ao desabafo, creio que hoje não só as mulheres, mas os homens também mudaram muito o jeito de encarar um relacionamento.
As pessoas preferem “ficar”, para não ter compromisso com ninguém. Eu como mulher, expresso aqui meu ponto de vista: Estou solteira um tanto por opção e um tanto por circunstância. Nunca acreditei em príncipe encantado no cavalo branco, mas queria encontrar uma pessoa com quem eu possa compartilhar minhas alegrias e tristezas.

Sinceramente, essa versão de homens românticos que mandam flores não agrada mais as mulheres. Sei que muitas vão ler esse texto e dizer que é mentira, mas é muito simples testar, nenhum homem conquista mulher alguma simplesmente porque enviou flores. Essas coisas só acontecem em novelas e filmes.
Isso começou a acontecer porque nos acostumamos com o jeito “bruto” masculino, e acabamos gostando. Digo “bruto” no sentido de falta de romantismo e não violento.
Queríamos direitos iguais e conseguimos, dividimos contas, disputamos vagas de emprego e outras coisas mais.

Voltando ao foco da discussão, conquistar uma mulher é simples, seja você mesmo sempre. Não tem coisa pior do que você conquistar uma mulher, e ela descobrir que tudo que você era não é verdade. Era só para conquistá-la. Te garanto que a pessoa que estiver ao seu lado,vai gostar de ti do jeito que você é. Mas lembre-se, que isso não te livra de opiniões contrárias, de discutir a relação, de enviar flores no aniversário dela.
Sim meu caro enviar flores, sou contra flores para conquistar a mulher, mas para fazer uma surpresa ou agradá-la, esse romantismo á moda antiga está totalmente aprovado.” (Miss G)

...

21 de junho de 2007

MADAME V.

As aventuras amorosas de mr. R
MADAME V.
Caminhava tranqüilo pelas calçadas monocromáticas da cidade de São Paulo, estava um noite agradável, os prédios desenhavam o céu azul escuro, havia poucas pessoas na rua. Meu destino, o Súbita, um cabaré caindo aos pedaços escondidos numa dessas travessas da rua Augusta, apesar da idade denunciada nos trincos nas paredes, a tinha descascada e a fiação a mostra, aquelas paredes vermelhas escuras e seus retratos de personalidades de Hollywood tinha um certo charme.

Entre acenos e comprimentos, me encaminhava para meu lugar cativo e logo tenho servido minha habitual dose de conhaque.

- Alguma novidade?
- Não.
- Alguma pequena nova?
- Também não.
- Esse lugar já foi melhor.
- Você fala isso todos os dias.
- Outra dose.

De onde estava, podia observar as garotas divertirem os boêmios da megalópole. Entre sorrisos e caricias, elas imergiam das pernas dos cães da guarda da sociedade rica paulista. Essas garotas. As garotas engordavam diariamente o pequeno lucro do cabaré. Em outro canto uma cena comum, mais um homem sendo sugado por uma ninfa. Assistir aquela cena me agradava, ficava imaginando aquela garota colada no meu corpo, sentindo aquela vag...

- Oi.

Aquela voz me trousse de volta a realidade.
Ela era clara, olhos negros, os cabelos lisos num tom avermelhado desciam até o meio das costas, ela estava sentada do meu lado. Pediu uma dose de conhaque, olhou para mim como se fosse o único homem daquele lugar. Trajava um vestido amarelo, colado ao corpo, podia ver cada curva do corpo torneado. Me olhava com a displicência de quem quer se divertir.

- Oi.

Mais uma vez estava sendo puxado para a realidade. Imaginar aquela mulher nua em pelo me deixou sem graça naquele momento.

- Oi.
- O que faz aqui?
- Resolveu falar, pensei que uma gata tinha mordida a sua língua.
- O que faz aqui, você ainda não respondeu?

Ela puxou da bolsa em seu colo, uma cigarreira. Ao pensar em levar o cigarro a boca, já estava com a chama do meu isqueiro contornando o seu rosto. Ela aceitou o meu fogo, tragou com o prazer de um orgasmo.

- Estava passando e resolvi entrar.
- Mas aqui é um prostíbulo.
- Eu sei.

Silêncio

- Nunca te vi por aqui. É uma das garotas novas?
- Já disse que estava passando e resolvi entrar! Será que num prostíbulo existem apenas mulheres sendo oferecidas.
- É que

O silêncio agora era ensurdecedor. Suas respostas me desconcertavam.

- Aqui não é lugar pra moças de família.
- E quem disse que eu sou de família?

Aquele sorriso. Malicioso.
Ela estava me tirando do sério, suas respostas me instigavam e ao mesmo tempo me motivavam a entrar naquele jogo. Cartas na mesa, olhos tentados a não fugir do confronto. Na boca batom claro, quase imperceptível, contornavam uma boca pequena, suave, que parecia nunca ter sido beijada. O seu perfume.

- E você o que faz aqui?
- Vim beber.
- Não fica com nenhuma dessas garotas?
- As vezes, mas hoje não quero ficar com nenhuma delas.
- Não!?
- Quer ficar com quem?
- Estive pensando em uma garota vestida de amarelo.
- Quem? Aquele ali?
- Não.

Tentei me aproximar, minha respiração já estava acelerada e denunciava meu nervosismo. Me aproximei mais, tentei beijá-la, mas ela esquivou e me abriu um sorriso de criança que acabava de fazer arte.

- Presumo que essa garota seja eu.
- Sim.
- Mas com essa conversinha, vai ser difícil.
- Que conversinha?
- Não se faça de bobo! Quero um conhaque.
- Ser um conhaque pra ela.

Poderia passar a noite vendo ela beber aquela taça de conhaque.

- O que veio procurar essa noite?
- Diversão.
- Que tipo de diversão?
- Pensei em dois corpos.
- Gosto.
- Pensei também em suor.
??? Não consegui falar nada.
- Talvez. Talvez eu dançando nua.
!!! Estava ficando cada vez mais quente.
- Quem sabe eu de quatro esperando

Não pensei duas vezes, levei minhas mãos trêmulas até sua perna. A danada as abriu de modo convidativo, meus dedos percorriam suas coxas. Ela as fechou. Balança negativamente o dedo indicador. Mergulhei de cabeça naquele jogo. Me aproximei e fui soprando lentamente em seu ouvido.

- Pensei também (disse sussurrando para ela)
- No que!?
- Em te amarrar na minha cama e beijar seu lábios até sentir seu corpo tremendo na minha boca.

Ela me puxou e me deu um beijo mais intenso que recebi até hoje. Sentia sua língua descobrindo cada pedaço da minha boca. Não estava acreditando. Pensava eu, será que tudo isso está acontecendo realmente, devo acordar bêbado e com dor de cabeça a qualquer minuto, tudo que acontecerá até aqui parece o roteiro dessas histórias baratas de folhetins vendidos em bancas de jornal.

Sem hesitar beije-lhe o pescoço, mordia a sua orelha e sentia cada vez mais minha excitação explodir dentro das calças.

- Preciso ir.
- O que?
- Tenho que ir.
- Pra onde?
- Não importa, pra longe apenas.
- Você não pode?
- O que não posso?
- Seu endereço pelo menos.
- Eu te procuro!
- Me dá o seu endereço.

Ela saiu caminhando rápido, desviando das pessoas que cambaleavam pelo cabaré, quando consegui levantar, a embriaguez me venceu, senti a tontura de 4 doses de conhaque. Cambaleante tentei sair, mas o segurança me barrou.

- Não vai pagar?
- Claro.
- Preciso falar com ela, já voltou e pago.
- Pague primeiro.
- É rápido, já volto e acerto.
- Só vai sair após o pagamento.
- Você me conhece, sabe que venho aqui sempre, é rápido, já volto
- O pagamento.

Tirei um maço de notas da carteira, tinha muito dinheiro, não podia me dar o luxo de deixar o troco pra eles. Quando consegui sair já era tarde, nem vestígio daquela mulher. Fiquei ali, sentando na guia, pensando, naquela noite. Não sei seu nome, seu endereço, lembro apenas do seu rosto e daquele beijo.
continua...

13 de junho de 2007

MADAME V

"As aventuras amorosas de Mr R"
# MADAME V.
Posso sentir o cheiro da chuva que cessou a pouco. Saltando entre uma poça e outra, sou mais um a procura de abrigo para uma noite fria. Amigos tenho poucos, nunca fui muito de relacionamentos, preferi ficar distante observando e ouvindo, talvez por isso esteja nessa profissão. Sou detetive, porém sem o glamour dos filmes de 20. Vivo me esgueirando entre maridos infiéis, becos escuros, banco de carros, lixo, muito lixo e um detalhe importante há muito não tenho clientes.

Entre os rostos cobertos por guardas chuvas, tudo pra mim é evidência menos a mais clara que todas finjo não enxergar “Eu sou um fracassado”

Minha diversão garanto na noite, nas curvas suntuosas dos prostíbulos de São Paulo. O cheiro de sexo me excita e com uma mulher em meus braços me sinto um garanhão. Sinto o toque o suave dos seus lábios no meu pênis e isso me leva a loucura. Amor garantido por 30 minutos quiçá 1 hora, ou quem sabe até o próximo cliente bater a porta.
A cidade de São Paulo picadeiro da minha triste história, cresce em ritmo alucinante e o céu não é mais o limite, o próprio nome diz: “arranha céu” e a cidade a cada dia fica mais feia, mais alta e mais cinza. Os imigrantes não param de chegar, sotaques nortistas misturados a outros idiomas, ditam o ritmo frenético ao qual essa cidade cresce. Acho que ela é a única que leva o lema desse país a sério “Ordem e Progresso”. Vejo São Paulo como a maior das prostitutas, uma eterna senhora elegante, bonita e soberba com as pernas sempre abertas pronta para receber o falo de quem possa afagar sua vaidade. Descarada! Santa puta descarada!

Estou a caminho de um bar de conhecidos desconhecidos, lá a conversa e teorias de um ano 2000 quase 40 anos distantes parecem tão loucos quanto o copo de conhaque possa permitir.
Essa é a minha rotina.
8:00 horas chego em meu escritório na Av. Augusta, da janela vejo os ônibus passando, levando operários enganados pelo sonho de riqueza. Papeis velhos se amontoam em cima de uma escrivaninha num canto da sala, na parede um mapa da cidade, do outro lado uma vitrola velha com o mesmo disco de Cartola que de tão riscado já não toca mais.
As 20 deixo meu quartel general em busca dela, sempre dela, a vida noturna.
De bar em bar, de putero em putero, me permito gastar um pouco da herança deixada por um velho e querido tio, que não jaz entre nós. O Incentivador frustrado da minha curta carreira de estudante de direito , a carreira promissora que abandonei por conta da apaixonante e folclórica rotina de detetive.

Até agora não me apresentei, sou avesso a essas formalidades, quanto menos me conhecer, menos transparente fico, mas elas, sempre elas, me chamam de “R”. O porquê desse nome não sei, mas ele me confere um certo charme que não tenho. Como R posso me transportar para qualquer ser, para qualquer personalidade. Qualquer um pode ser R e por isso não reclamo por ser lembrado apenas por essa consoante.

Sem mais delongas.
Hoje seria um dia comum se não fosse por um fato.
continua...

29 de maio de 2007

# O DIÁRIO DE R

As aventuras amorosas de Mr R
# O DIÁRIO DE R

Algum dia de 2006

Minha história nem foi, nem será a mais bonita, mas a primeira linha do livro que prometi escrever começaria da seguinte forma:

"EU pensei que contos da fadas não existissem, até viver UM"
Os nomes dos personagens não precisam ser ditos, sua fisionomia muito menos, características temperamentais não interessam. Mas os mundos com certeza esses sim conduziriam o enredo.
Tudo aconteceu há alguns anos atrás e ainda não sei porque sempre me pego repensando e remoendo esssa história. Além dos amigos acho que você é unico que pode compreender. Por isso gosto de papel, você aceita tudo.

Conhecemos-nos de uma maneira pouco convencional.
Era só pra ser uma brincadeira.
Uma reposta mal criada. Uma viagem adiada. E tudo por quê? Por causa daquela musica descrita abaixo, ou melhor cantada de maneira desafinada e roca; teria tal música tamanho poder? Também pensei que não! mas até hoje é trilha sonora dos momentos mais intensos vividos por duas pessoas.

Ah, essa música

"Seu cheiro em outra pessoa e o meu pensamento em você impossivel te esquecer"

Tudo aconteceu rápido de mais.
O envolvimento, a paixão, as brigas, o preconceito tudo acabou rápido de mais.
Restaram apenas as lembranças, até um dia desses esquecidos e revividos pela tal música tocada despretensiosamente em uma estação de rádio qualquer.

"Quisera perder de vista não deixar rastro nem pista somente o tempo ira te encontrar"

Algumas perguntas vêm a minha cabeça:
Onde esta? Como esta? Será que nos veremos?

Nos completávamos, as horas voavam, o mundo parava.
TELEPATIA! Não adivinhamos pensamentos, mas sabíamos quando um precisava do outro. Os beijos eram longos e demorados, os carinhos sentidos a flor da pele, sua respiração ofegante, sua voz no meu ouvido, as palavras sempre cuidadas.

As vezes quando escuto essa música e um mundo de lembranças invadem os pensamentos me pergunto se tudo aconteceu. Até que vejo aquele casal de velhinhos sentados em um banco de praça alimentando pombos e tenho certeza que foi real. Retratando um dos planos discutidos pelos apaiaxonados, congelados pela resina do amor sonhado.


A dor foi real, as lágrimas, a decpeção, a revolta, o coração dolorido, trincado, destruido!
FOI REAL
Me preparei pro fim.
Mas nunca pra aquele fim.
Algumas palavras ainda ecoam.
E tudo acabou.

"Mas não vou te procurar, acho que não adianta correr atras desse amor"

Contos de fadas sim! Com direito a Era uma vez, personagens, antagonistas, conflito, plot points, resolução e moral da história no final . Mas diferente dos livros, viver felizes para sempre, nem sempre implica em viverem juntos para sempre.
Mas o final pode ser feliz assim mesmo.

Moral da história e qual é a história?

Você meu amigo deve estar se perguntando, alias tem alguns outros trechos dessa história reportados em páginas anteriores, você acompanhou tudo, não criticou, não me chamou de louco, não deu força, não incentivou, apenas me ouviu!

"O cheiro do seu perfume resto de uma saudade louca saudade de ver"

O que restou?
Ótimas lembranças! Amizade incondicional!
Uma história incomum e algumas lições e o meu conto de fadas.

Se continuo apaixonado? Não. Apenas nostalgia.
Se ainda nos falamos? Já não sei mais, talvez sim, talvez não.
Que merda de história é essa?
Mais detalhes? Algum dia eu conto.
Uma palavra? Telefone.

"o meu pensamento em você impossível te esquecer MEU AMOR"