21 de junho de 2007

MADAME V.

As aventuras amorosas de mr. R
MADAME V.
Caminhava tranqüilo pelas calçadas monocromáticas da cidade de São Paulo, estava um noite agradável, os prédios desenhavam o céu azul escuro, havia poucas pessoas na rua. Meu destino, o Súbita, um cabaré caindo aos pedaços escondidos numa dessas travessas da rua Augusta, apesar da idade denunciada nos trincos nas paredes, a tinha descascada e a fiação a mostra, aquelas paredes vermelhas escuras e seus retratos de personalidades de Hollywood tinha um certo charme.

Entre acenos e comprimentos, me encaminhava para meu lugar cativo e logo tenho servido minha habitual dose de conhaque.

- Alguma novidade?
- Não.
- Alguma pequena nova?
- Também não.
- Esse lugar já foi melhor.
- Você fala isso todos os dias.
- Outra dose.

De onde estava, podia observar as garotas divertirem os boêmios da megalópole. Entre sorrisos e caricias, elas imergiam das pernas dos cães da guarda da sociedade rica paulista. Essas garotas. As garotas engordavam diariamente o pequeno lucro do cabaré. Em outro canto uma cena comum, mais um homem sendo sugado por uma ninfa. Assistir aquela cena me agradava, ficava imaginando aquela garota colada no meu corpo, sentindo aquela vag...

- Oi.

Aquela voz me trousse de volta a realidade.
Ela era clara, olhos negros, os cabelos lisos num tom avermelhado desciam até o meio das costas, ela estava sentada do meu lado. Pediu uma dose de conhaque, olhou para mim como se fosse o único homem daquele lugar. Trajava um vestido amarelo, colado ao corpo, podia ver cada curva do corpo torneado. Me olhava com a displicência de quem quer se divertir.

- Oi.

Mais uma vez estava sendo puxado para a realidade. Imaginar aquela mulher nua em pelo me deixou sem graça naquele momento.

- Oi.
- O que faz aqui?
- Resolveu falar, pensei que uma gata tinha mordida a sua língua.
- O que faz aqui, você ainda não respondeu?

Ela puxou da bolsa em seu colo, uma cigarreira. Ao pensar em levar o cigarro a boca, já estava com a chama do meu isqueiro contornando o seu rosto. Ela aceitou o meu fogo, tragou com o prazer de um orgasmo.

- Estava passando e resolvi entrar.
- Mas aqui é um prostíbulo.
- Eu sei.

Silêncio

- Nunca te vi por aqui. É uma das garotas novas?
- Já disse que estava passando e resolvi entrar! Será que num prostíbulo existem apenas mulheres sendo oferecidas.
- É que

O silêncio agora era ensurdecedor. Suas respostas me desconcertavam.

- Aqui não é lugar pra moças de família.
- E quem disse que eu sou de família?

Aquele sorriso. Malicioso.
Ela estava me tirando do sério, suas respostas me instigavam e ao mesmo tempo me motivavam a entrar naquele jogo. Cartas na mesa, olhos tentados a não fugir do confronto. Na boca batom claro, quase imperceptível, contornavam uma boca pequena, suave, que parecia nunca ter sido beijada. O seu perfume.

- E você o que faz aqui?
- Vim beber.
- Não fica com nenhuma dessas garotas?
- As vezes, mas hoje não quero ficar com nenhuma delas.
- Não!?
- Quer ficar com quem?
- Estive pensando em uma garota vestida de amarelo.
- Quem? Aquele ali?
- Não.

Tentei me aproximar, minha respiração já estava acelerada e denunciava meu nervosismo. Me aproximei mais, tentei beijá-la, mas ela esquivou e me abriu um sorriso de criança que acabava de fazer arte.

- Presumo que essa garota seja eu.
- Sim.
- Mas com essa conversinha, vai ser difícil.
- Que conversinha?
- Não se faça de bobo! Quero um conhaque.
- Ser um conhaque pra ela.

Poderia passar a noite vendo ela beber aquela taça de conhaque.

- O que veio procurar essa noite?
- Diversão.
- Que tipo de diversão?
- Pensei em dois corpos.
- Gosto.
- Pensei também em suor.
??? Não consegui falar nada.
- Talvez. Talvez eu dançando nua.
!!! Estava ficando cada vez mais quente.
- Quem sabe eu de quatro esperando

Não pensei duas vezes, levei minhas mãos trêmulas até sua perna. A danada as abriu de modo convidativo, meus dedos percorriam suas coxas. Ela as fechou. Balança negativamente o dedo indicador. Mergulhei de cabeça naquele jogo. Me aproximei e fui soprando lentamente em seu ouvido.

- Pensei também (disse sussurrando para ela)
- No que!?
- Em te amarrar na minha cama e beijar seu lábios até sentir seu corpo tremendo na minha boca.

Ela me puxou e me deu um beijo mais intenso que recebi até hoje. Sentia sua língua descobrindo cada pedaço da minha boca. Não estava acreditando. Pensava eu, será que tudo isso está acontecendo realmente, devo acordar bêbado e com dor de cabeça a qualquer minuto, tudo que acontecerá até aqui parece o roteiro dessas histórias baratas de folhetins vendidos em bancas de jornal.

Sem hesitar beije-lhe o pescoço, mordia a sua orelha e sentia cada vez mais minha excitação explodir dentro das calças.

- Preciso ir.
- O que?
- Tenho que ir.
- Pra onde?
- Não importa, pra longe apenas.
- Você não pode?
- O que não posso?
- Seu endereço pelo menos.
- Eu te procuro!
- Me dá o seu endereço.

Ela saiu caminhando rápido, desviando das pessoas que cambaleavam pelo cabaré, quando consegui levantar, a embriaguez me venceu, senti a tontura de 4 doses de conhaque. Cambaleante tentei sair, mas o segurança me barrou.

- Não vai pagar?
- Claro.
- Preciso falar com ela, já voltou e pago.
- Pague primeiro.
- É rápido, já volto e acerto.
- Só vai sair após o pagamento.
- Você me conhece, sabe que venho aqui sempre, é rápido, já volto
- O pagamento.

Tirei um maço de notas da carteira, tinha muito dinheiro, não podia me dar o luxo de deixar o troco pra eles. Quando consegui sair já era tarde, nem vestígio daquela mulher. Fiquei ali, sentando na guia, pensando, naquela noite. Não sei seu nome, seu endereço, lembro apenas do seu rosto e daquele beijo.
continua...

13 de junho de 2007

MADAME V

"As aventuras amorosas de Mr R"
# MADAME V.
Posso sentir o cheiro da chuva que cessou a pouco. Saltando entre uma poça e outra, sou mais um a procura de abrigo para uma noite fria. Amigos tenho poucos, nunca fui muito de relacionamentos, preferi ficar distante observando e ouvindo, talvez por isso esteja nessa profissão. Sou detetive, porém sem o glamour dos filmes de 20. Vivo me esgueirando entre maridos infiéis, becos escuros, banco de carros, lixo, muito lixo e um detalhe importante há muito não tenho clientes.

Entre os rostos cobertos por guardas chuvas, tudo pra mim é evidência menos a mais clara que todas finjo não enxergar “Eu sou um fracassado”

Minha diversão garanto na noite, nas curvas suntuosas dos prostíbulos de São Paulo. O cheiro de sexo me excita e com uma mulher em meus braços me sinto um garanhão. Sinto o toque o suave dos seus lábios no meu pênis e isso me leva a loucura. Amor garantido por 30 minutos quiçá 1 hora, ou quem sabe até o próximo cliente bater a porta.
A cidade de São Paulo picadeiro da minha triste história, cresce em ritmo alucinante e o céu não é mais o limite, o próprio nome diz: “arranha céu” e a cidade a cada dia fica mais feia, mais alta e mais cinza. Os imigrantes não param de chegar, sotaques nortistas misturados a outros idiomas, ditam o ritmo frenético ao qual essa cidade cresce. Acho que ela é a única que leva o lema desse país a sério “Ordem e Progresso”. Vejo São Paulo como a maior das prostitutas, uma eterna senhora elegante, bonita e soberba com as pernas sempre abertas pronta para receber o falo de quem possa afagar sua vaidade. Descarada! Santa puta descarada!

Estou a caminho de um bar de conhecidos desconhecidos, lá a conversa e teorias de um ano 2000 quase 40 anos distantes parecem tão loucos quanto o copo de conhaque possa permitir.
Essa é a minha rotina.
8:00 horas chego em meu escritório na Av. Augusta, da janela vejo os ônibus passando, levando operários enganados pelo sonho de riqueza. Papeis velhos se amontoam em cima de uma escrivaninha num canto da sala, na parede um mapa da cidade, do outro lado uma vitrola velha com o mesmo disco de Cartola que de tão riscado já não toca mais.
As 20 deixo meu quartel general em busca dela, sempre dela, a vida noturna.
De bar em bar, de putero em putero, me permito gastar um pouco da herança deixada por um velho e querido tio, que não jaz entre nós. O Incentivador frustrado da minha curta carreira de estudante de direito , a carreira promissora que abandonei por conta da apaixonante e folclórica rotina de detetive.

Até agora não me apresentei, sou avesso a essas formalidades, quanto menos me conhecer, menos transparente fico, mas elas, sempre elas, me chamam de “R”. O porquê desse nome não sei, mas ele me confere um certo charme que não tenho. Como R posso me transportar para qualquer ser, para qualquer personalidade. Qualquer um pode ser R e por isso não reclamo por ser lembrado apenas por essa consoante.

Sem mais delongas.
Hoje seria um dia comum se não fosse por um fato.
continua...

29 de maio de 2007

# O DIÁRIO DE R

As aventuras amorosas de Mr R
# O DIÁRIO DE R

Algum dia de 2006

Minha história nem foi, nem será a mais bonita, mas a primeira linha do livro que prometi escrever começaria da seguinte forma:

"EU pensei que contos da fadas não existissem, até viver UM"
Os nomes dos personagens não precisam ser ditos, sua fisionomia muito menos, características temperamentais não interessam. Mas os mundos com certeza esses sim conduziriam o enredo.
Tudo aconteceu há alguns anos atrás e ainda não sei porque sempre me pego repensando e remoendo esssa história. Além dos amigos acho que você é unico que pode compreender. Por isso gosto de papel, você aceita tudo.

Conhecemos-nos de uma maneira pouco convencional.
Era só pra ser uma brincadeira.
Uma reposta mal criada. Uma viagem adiada. E tudo por quê? Por causa daquela musica descrita abaixo, ou melhor cantada de maneira desafinada e roca; teria tal música tamanho poder? Também pensei que não! mas até hoje é trilha sonora dos momentos mais intensos vividos por duas pessoas.

Ah, essa música

"Seu cheiro em outra pessoa e o meu pensamento em você impossivel te esquecer"

Tudo aconteceu rápido de mais.
O envolvimento, a paixão, as brigas, o preconceito tudo acabou rápido de mais.
Restaram apenas as lembranças, até um dia desses esquecidos e revividos pela tal música tocada despretensiosamente em uma estação de rádio qualquer.

"Quisera perder de vista não deixar rastro nem pista somente o tempo ira te encontrar"

Algumas perguntas vêm a minha cabeça:
Onde esta? Como esta? Será que nos veremos?

Nos completávamos, as horas voavam, o mundo parava.
TELEPATIA! Não adivinhamos pensamentos, mas sabíamos quando um precisava do outro. Os beijos eram longos e demorados, os carinhos sentidos a flor da pele, sua respiração ofegante, sua voz no meu ouvido, as palavras sempre cuidadas.

As vezes quando escuto essa música e um mundo de lembranças invadem os pensamentos me pergunto se tudo aconteceu. Até que vejo aquele casal de velhinhos sentados em um banco de praça alimentando pombos e tenho certeza que foi real. Retratando um dos planos discutidos pelos apaiaxonados, congelados pela resina do amor sonhado.


A dor foi real, as lágrimas, a decpeção, a revolta, o coração dolorido, trincado, destruido!
FOI REAL
Me preparei pro fim.
Mas nunca pra aquele fim.
Algumas palavras ainda ecoam.
E tudo acabou.

"Mas não vou te procurar, acho que não adianta correr atras desse amor"

Contos de fadas sim! Com direito a Era uma vez, personagens, antagonistas, conflito, plot points, resolução e moral da história no final . Mas diferente dos livros, viver felizes para sempre, nem sempre implica em viverem juntos para sempre.
Mas o final pode ser feliz assim mesmo.

Moral da história e qual é a história?

Você meu amigo deve estar se perguntando, alias tem alguns outros trechos dessa história reportados em páginas anteriores, você acompanhou tudo, não criticou, não me chamou de louco, não deu força, não incentivou, apenas me ouviu!

"O cheiro do seu perfume resto de uma saudade louca saudade de ver"

O que restou?
Ótimas lembranças! Amizade incondicional!
Uma história incomum e algumas lições e o meu conto de fadas.

Se continuo apaixonado? Não. Apenas nostalgia.
Se ainda nos falamos? Já não sei mais, talvez sim, talvez não.
Que merda de história é essa?
Mais detalhes? Algum dia eu conto.
Uma palavra? Telefone.

"o meu pensamento em você impossível te esquecer MEU AMOR"

23 de maio de 2007

1.1 OS PRIMEIROS BEIJOS

1.1 OS PRIMEIROS BEIJOS
As aventuras amoras de Mr R

Logo R aprenderá que somente um dia após o outro é capaz de resolver alguns problemas, principalmente os sentimentais. O dia seguinte a negativa de tão aguardado beijo pareceu ser o pior deles, R não queria sair de casa, um misto de vergonha e covardia lhe tomavam os pensamentos. Porém o que realmente o incomodará não era o sonoro não que ainda ecoava na sua cabeça, e sim a lembrança de ter corrido da situação. Covarde, covarde, covarde, covarde, covarde ele repetia a si mesmo. R imaginará que tal fato, o descrendenciaria a possível morador do coração de L. Qual a menina que ficaria com um menino que corre dos seus problemas. Mulher gosta do cara que a agarra com força a toma nos braços e a beija inclinada como nas cenas de cinema.

Decidido a não colocar os pés na rua nos próximos dias R zapeava os canais de televisão, entre um comercial e outro, ele levantava observava o movimento e voltava para o sofá, numa dessas subidas M.C o pega desprevenido e ainda sem graça R não conseguiu fugir do amigo sorridente.

(“Por que as pessoas sorriem tanto”)

Vai sair não?
Sair pra onde?
Pra rua ué?
Agente ta lá no campinho jogando bola!
To afim não.
Vamo lá! Ta faltando goleiro.
Ah veio me chamar só por que ta faltando um.
Não, claro que não! Você é o melhor goleiro do campinho.
Nem adianta puxar o saco!
É sério, vamos lá. Vai ficar o dia todo dentro de casa.
Não quero sair.
Por que?
Porque não!
Por causa de ontem?
O que que tem ontem?
Por causa da brincadeira!
Brincadeira, que brincadeira?
A do beijo!
Que beijo!
O que você num deu CARAMBA!
Não lembro de brincadeira nenhuma.
Para de graça.
Você que não quis beijar ela.
Eu que não quis! TA MALUCO!!!
É você não quis!
EU NÃO QUIS! Ce ta brincando comigo!
To não! É sério!
Como assim?
Cara se acha que você ia pedir um beijo pra ela, e ela ia fechar os olhos e ia sair correndo te beijando.
É!
Claro que não idiota, ela disse não dizendo sim.
NÃO dizendo SIM! Pra mim não é não e sim é sim. Simples não tem NÃO que é SIM e SIM que é NÃO.
Ela ta fazendo charme. Disse não, querendo dizer sim! Mas você saiu correndo! VACILÃO. Agora vai saber quando você vai ter uma oportunidade dessa.
Mais.
Mais nada, mulher é tudo assim, elas ficam esperando que você insista, que você repare, que você elogie, que você galanteie, elas dizem não dizendo sim.
O muleque ta querendo me ensinar sobre as mulheres é, você já beijou quantas pra ta me dizendo essas coisas?
Eu sei! Tenho duas irmãs e por conseqüência um monte de meninas ficam o dia inteiro fofocando na minha casa. Eu finjo que to vendo TV e fico ouvindo tudo, anotando minhas táticas.
Caramba! Então ela queria me beijar!
Queria.
Mas agora não quer mais.
Não quer mais?! Mais não quer mais querendo?!
Não quer não querendo!
Caramba! Como assim? Ué, você saiu correndo, agora ela te acha um idiota!
Ela te disse? Você ouviu ela dizendo?
Não me disse e não ouvi ela dizendo nada! Mas não quero um cunhado que sai correndo por ai. Vai jogar bola? Ou vai ficar ai escondido?

16 de maio de 2007

1.1 OS PRIMEIROS BEIJOS...

Não foi dessa vez que o primeiro beijo de R aconteceu. Mas a sensação do que quase beijo ficou nos pensamentos do rapaz por alguns dias. Os comentários dos amigos não o deixa esquecer também.

Por que não foi?
Porque não, oras!
Mas tava quase indo.
Mas num foi!
Por que não foi?
Já falei que porque não caramba!
Mas devia ter ido.
Mas num foi!
Mas o que aconteceu?
Num aconteceu.
Se preocupa não sábado que vem tem bailinho de novo.
Tem mesmo?
Tem sim, enquanto você não beijou o Jr, beijou.
Ele beijou quem?
Beijou a C.
Mas você num beijou!
Não precisa ficar lembrando toda hora também.
Mas sábado se beija!
Por que só sábado?
Porque só vai ter bailinho no sábado!
CARALHO!!!!
Mas sábado eu vou pra casa.
Fazer o que na sua casa?
Ué, minha mãe mandou eu ir pra casa, vai saber o que eu vou fazer em casa!
Agente dá um jeito então.
Dá um jeito pra quê?
Pra você beijar!
Mas por que eu?
Porque todo mundo já beijou!
TODO MUNDO?
Se ta mentindo!?
To nada, até eu já beijei!
QUEM!?
Você não conhece, é la da escola!
BEJO NADA!?
BEIJEI SIM!!!
BEJO NADA!? Fala o nome dela então!!!!
Num preciso falar, você não conhece, e quem não beijou foi você.

Como assim todo mundo já beijou indaga a sí mesmo. Não é verdade. Nem ligo é só um beijo mesmo!

A noite não foi a mais tranqüila pra R, entre intervalo de um sonho e outro, boca, bocas, bocões, boquinhas, bencinhos, risadas, dedos apontados, estalos de beijos, casais enamorados, olhos apaixonados, mãos dadas, beijocas, beijoqueiras, até mesmo o amigo mais feinho do mundo inteiro, estava lá, abraçado a alguém trocando beijos. Maldito primeiro beijo!

Lá estava R, tentando não admitir que essa história de primeiro beijo não o incomodava. Engano-seu! O incomodava e muito!

Ele tentou não dar muita atenção para o quase primeiro beijo, mas tinha um caminho com uma menina, e ela era amiga de R, e também quase participará do primeiro beijo.

Oi!
Oi!
Tudo bem?
Tudo!
Foi legal o baile!
Foi!
Até que você num dança mal!
Baile idiota!
O que?
Ah! Uhum! O que, o que? Ah! Shi, é tosse tosse, então, Sim, uhum hum! Nada não, pensei alto!
Pensou o que?
Pensei, quem disse que eu pensei?
Você!?
Não, não, num pensei não, engano seu!
Ah, ta!
Você vem sábado?
Venho? Venho onde?
No baile o cabeçudo? Ta com a cabeça longe é? Ta pensando no que?
No beijo!
O que?
É, então, sim, é, pensando, ahammm, cabeça? Uhumm! Você me chamou de cabeçudo foi?
Não muda de assunto! O que disse?
Eu disse nada. Disse que sábado não vai dar, vou ter que ir pra casa.
Mas e o beijo?
Beijo? Que beijo? Olha a pipa!!! E correu olhando pro alto e deixando aquela conversa para trás.

Passado duas semanas, lá estava R, com sua inseparável mochila cinza e preta nas costas, algumas cuecas, alguns shorts, camisetas e ansioso pelas brincadeiras na casa da avó. Mas não eram as brincadeiras que faziam o corpo de R tremer de excitação com as ruas que ficavam pra trás. Lá ele encontraria novamente com ela. O beijo nem importava tanto, mas estar perto dela, ouvir ela reclamando de tudo, brigando com todo mundo, querendo jogar futebol com os meninos, e fazendo cara de brava por que eles não deixavam era tudo que R queria ver. Sem perceber esse foi o primeiro amor de R.

Rrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr
Ow Rrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr!
Rrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr
Fala!
Vamo pro campinho!
Faze?
Vamo pro campinho, o Jr falo que tem uma brincadeira nova pra gente!
Num quero!
Ele disse que é pra você ih!
Mas to vendo TV.
Desliga vamo pro campinho, se sabe que as brincadeiras do Jr, são sempre legais!

(Jr era o mais velho da turma, já estava na 6º série, era grandão e sabia das coisas. Ele era legal porque sempre defendia agente do pessoal da rua de baixo. E era um amigão também, um cara que dava pra confiar)

Caramba! Pensei que não você não vinha!

Sem entender muito bem, R estava ao lado de outros meninos todos perfilados e com um sorrizinho malicioso no rosto. Distante dali estavam o grupo das meninas, todas sentadas observando a brincadeira. Por algum motivo, R percebeu que só ele não tinha brincado daquilo até então. Jr fechava os olhos da H e apontava para os rapazes.

Esse?
Não
Esse?
Não
É esse?
Não
Então é esse?
Também não!
É esse?
É!
O que você quer?
Passeio no bosque!

?Passeio no bosque? Que diabos é isso? Aqui nem tem bosque!

H fez cara de quem não gostou muito da escolha, ela tinha pego o F, um cara legal, mas baixinho e gordinho. Logo estavam os dois de mão dada andando pelo campinho como se tivessem passeando pelo bosque.

Mas que coisa mais sem graça!

Agora é a vez das meninas!

RO, vem pra cá, você que vai escolher a sortuda, falava Jr para o RO.

E a brincadeira eram assim:
Beijo (beijo no rosto)
Abraço (abraço de dois minutos)
Aperto de mão (apertão de mão mesmo)
Passeio no bosque (ficar andando por um canto pelo tempo que acharem legal)


Logo a brincadeira estava se tornando tediosa! Passeio no bosque não era a coisa mais interessante do mundo e quem R gostaria que estivesse participando tinha ido ao dentista naquela tarde.

Sábio Jr! Havia guardado o melhor da brincadeira para mais tarde.

De repente a calma do campinho foi interrompida com a chegada de MC, C e ela! L, todos muito alegres, sorridentes. Com o coração na boca R observava ela vindo em sua direção, linda, sorridente, balançando o cabelo para lá e para cá.

Que bom que vocês chegaram!
Tão brincando do que?
Sei não.
Só sei que tem que levar pra passear no bosque!
Ah!
Até que legal!
Agente pode andar de mão dada (era o que R mais queria)
Eu e você?
Não, é, sim, então, simmm, shi, é mesmo, na brincadeira, na brincadeira, quis dizer na brincadeira.
Então vamos brincar.

A brincadeira é a mesma! Só que vamos melhorar ela um pouco.
Ah! Como?

Agora é assim:
Pêra (abraço)
Uva (beijo no rosto)
Maça (beijo selinho)
Salada mista (beijo de língua)

Mais animado do que nunca estavam todos perfilados novamente, agora meninos e meninas um do lado do outro, intercalados. Jr tomava cuidado para pular o sexo oposto. E apontava para o outro seguido da pergunta: É esse? Sim? Pêra? Uva? Maça? Salada Mista? Sempre que o dedo era apontado para L, R torcia para que a resposta fosse negativa e aguardava ansioso para sua vez de escolher a vitima do seu primeiro beijo!

A vez de R chegou, de olhos cobertos, ele ouvia os risinhos de todos e o é esse que Jr repetia, ele tinha marcado bem a posição da L, e após contar as negativas, chegou a hora.

É essa?
Sim
O que você quer?
Uva!

Quando abriu o olho la estava G. A menina mais feia de todo o quarteirão. Que sorria para R, como se tivesse ganhando um pacote de balas juquinha e o troco do super mercado. Com a cara mais descontente do mundo e aos gritos de beija, beija, beija a menina fazia um certo charme de quem não quer, querendo o beijo já anunciado. O consolo de R, fora a escolha do uva, que o sentenciava apenas para o beijo no rosto!

Smack!

E assim foi o beijo no rosto de G. Se existisse um campeonato de quem desse o beijo no rosto mais rápido do mundo. R o ganharia. Já era possível ver ele pulando e comemorando com a medalha no peito. A técnica da vitória é pensar na G, não tem como alguém dar um beijo com mais de 1 segundo no rosto dela, repetia contente para os repórteres.

De volta a realidade estavam eles perfilados novamente. R, RO, MC, D, C, A, CL no time dos homens, L, C, H, G, A, V, VA, D no time das meninas. Agora era a vez da L escolher o sortudo que poderia ganhar o prêmio máximo: A SALADA MISTA,

Esse nome deve ter sido escolhido, porque deve ficar tudo misturado na hora do beijo, a língua, a baba, os sentimentos. Pensava R

Sim! Sim, sim o que? Eu? Eu o que? Escolhido? Escolhido pela L? Eu? EU? O que? UVA? (Uva é o que mesmo) E de repente um beijo.

Um beijo quente, rápido e capaz de deixar R mais vermelho que pimentão da feira!

Assim se seguiu a brincadeira. Mais animado e feliz com por ter sido escolhido. Nosso pequeno herói combinou uma tática com JR, ele faria uma pequena pressão nos olhos de R quando ele passasse pela L. Plano armado!

Sim! É essa! Maça!

Vermelha, sem graça e com um sorriso tímido, L tentava esconder o rosto entre o cabelo, mas R estava confiante, ela não recusaria o beijo de R. Ele de frente pra ela, ela olhando pra ele, vento assobiando o mato em volta do campinho, o sorriso maldoso de todo mundo em volta, os gritos de beija, beija, beija mais entusiasmado. Boca, olhos na boca, R só tinha olhos para a boca, pequena, com um batom rosa clarinho, ele ia se aproximando devagar, boca, olhos semi abertos, boca, L, R, boca, R, L, boca, coração acelerado, R, boca, L, boca, respiração, R L, boca, boca, boca, e beijo! Quente, molhado e rápido, uma fração de segundos de um lábio encostado no outro, os milionésimos de segundos mais demorados do mundo.

Enfim o primeiro beijo de R. Para ser mais exato os 41 primeiros beijos maças de R, entre apertões, assobios, empurrões, pisões no pé, catucadas, tosses, aconteceram os 41 primeiros beijos de R. Assim como fogo em mato seco, a noticia dos 41 se espalharia com menos rapidez que:

É essa?
Sim!
O que você quer?
Pêra? Uva? Maça? Salada mista?

"SALADA MISTA, SALADA MISTA, SALADA MISTA, SALADA MISTA, SALADA MISTA, SALADA MISTA, SALADA MISTA, SALADA MISTA, SALADA MISTA, SALADA MISTA, SALADA MISTA, SALADA MISTA, SALADA MISTA, SALADA MISTA, SALADA MISTA, SALADA MISTA, SALADA MISTA, SALADA MISTA, SALADA MISTA, SALADA MISTA, SALADA MISTA, SALADA MISTA, SALADA MISTA, SALADA MISTA, SALADA MISTA, SALADA MISTA, SALADA MISTA, SALADA MISTA"

Finalmente o primeiro beijo!

Isso! Salada Mista!

Tudo pronto! Mãos suando, pernas fracas, pensamentos confusos, barulhos surdos no ouvido, o tempo girando devagar. L estava mais linda do que nunca naquela tarde, estava com um vestido vermelho até o joelho, os cabelos castanhos soltos, o rosto levemente rosado. R segurou a mão de L, que também tremia de ansiedade, o nervosismo era visto no rosto do dois, os olhares sem graça e cúmplice não desviam por nenhum momento. R começava a se aproximar de L, devagar, na cabeça um turbilhão de pensamentos, aquela boca que habitava seus sonhos estava cada vez mais próxima.

Não!
Não?
Não!
Não o que?
Eu não quero!
Não quer?
Não, não quero! Não quero! NÃO QUERO!
Por que?
NÃO! Me solta!
O que?
Não quero!

Um misto de vergonha e tristeza percorria todo o corpo de R, ele não entendia nada o que estava acontecendo, só conseguia lembrar dos outros 41 beijos, como ela não poderia correr. O fora anunciado por ela, estava doendo na sua cabeça berrando, ele se perguntava por que não? Sem pensar muito! Ele fez a primeira coisa que veio a sua cabeça naquele momento! Correu, correu, correu e correu para o mais longe que suas pernas pudessem o levar!